Maceió e Barra de S. Miguel: redutos de italianos, argentinos, portugueses e franceses

Barra de S. Miguel AL- Uma equipe do Maceió Urgente,  realizou uma reportagem em Maceió e Barra de São Miguel, litoral norte de Alagoas, para fazer um perfil dos empresários estrangeiros que atuam na região. São donos de bares, restaurantes, pousadas e hotéis. A Praia da Barra de São Miguel está situada no município da Barra de São Miguel, na Região Metropolitana de Maceió, em Alagoas. Tem tudo o que uma pessoa pode querer durante uma escapadinha de final de semana, e até mesmo para passar uma boa temporada de férias, após essa pandemia do coronavírus. Barra de S. Miguel é o point neste feriado de Dia das Crianças.

A cerca de 30 Km do centro de Maceió, a Praia da Barra de São Miguel é a escolha ideal para desfrutar de um dia bem relaxado, ao mesmo tempo que curte um mar de águas bem clarinhas.

Como ela é protegida por uma barreira de corais, durante a maré baixa usufruir de uma grande piscina natural. Aliás, uma das maiores formações de barreiras de corais encontra-se mesmo na Praia da Barra de São Miguel.

Durante a maré alta as ondas são fortes, consideradas as melhores ondas do estado. Este fato faz com que essa praia agrade a todo o mundo: boas ondas para esportes, e a maior piscina natural do estado.

Ao contrário de outras praias de Maceió, como a Praia de Jatiúca, a Praia da Barra de São Miguel fica abarrotada durante os finais de semana, principalmente porque a faixa de areia é bem curta, e fica cheia com as cadeiras e guarda-sóis.

Assim, se vai fazer uma visita, o melhor é escolher um dia da semana, quando a praia se encontra mais vazia, e se está indo no final de semana, o melhor é ir bem cedo para ter a certeza que arranja um bom lugar para se sentar.

Estrutura na Praia da Barra de São Miguel

O bairro da Barra de São Miguel oferece uma boa infraestrutura para turistas, especialmente na parte turística. Tem várias pousadas, restaurantes, bares, quiosques, e vários pontos de comércio.

A cerca de 40 Km do centro de Maceió, e 21 Km do Marechal Deodoro, a Praia da Barra de São Miguel encontra-se bem servida de transportes. Em Maceió conta com o Aeroporto Internacional, que faz voos diários para vários pontos do país e estrangeiro. De lá saem vários traslados, os quais podem ser arranjados pela sua agência de viagem ou hospedagem.

Tem vários ônibus que saem do centro de Maceió para a Barra de São Miguel. A cada 15 minutos sai um ônibus com direção à Barra, e a viagem demora cerca de 1 hora e 30 minutos.

 

Maceió

Que Alagoas é um dos destinos mais procurados entre os viajantes, não há dúvidas. Um dado que comprova é o número de passageiros que passam pelo Aeroporto Internacional Zumbi dos Palmares, que cresceu 13,18% no mês de setembro. No acumulado do ano, este número chega a 2,01%, com mais de 1,5 milhão de passageiros circulando pelo aeroporto em 2017.

Mas há quem chegue para uma visita e resolva atracar nas águas alagoanas, trazendo novidades como línguas e culturas diferentes e uma gastronomia temperada com toques especiais. Com isso, o mercado de bares e restaurantes alagoano vem ganhando o investimento de estrangeiros.

Em um velereiro, a argentina Nidia Inês Battaglia chegou a Alagoas em 1993 após 7 anos morando na embarcação. O primeiro ponto de parada foi a Barra de São Miguel, depois uma passagem pelas águas do Francês, em Marechal Deodoro.

Nidia Inês Battaglia decidiu morar em Alagoas e abrir um restaurante vegetariano

FOTO: ANA CLARA MENDES

“Conhecia o Brasil das temporadas de férias. Saímos de barco de Buenos Aires e começamos a velejar por vários estados. Comecei a morar no veleiro com os dois filhos pequenos. Já viajando, nasceu o terceiro em Porto Seguro. Mas ao chegar a Alagoas, escolhi parar e ficar”, relembra Nidia.

Ela conta que como sempre gostou de cozinhar, e com um incentivo dos amigos e familiares, resolveu abrir um restaurante. Em 2012, a argentina resolveu apostar em Maceió. “Faço alimentação natural há muitos anos, sempre fiquei nessa linha. Em um momento, eu estava precisando mudar de ramo e uma amiga, que veio visitar, trouxe a ideia e me encorajou a abrir o Serafim”, explica.

Para abrir o restaurante vegetariano, Nidia fez um trabalho de pesquisa. Ela conta que o primeiro passo foi um almoço-teste. “Para ver se as pessoas aceitavam essa alimentação vegetariana e foi um êxito. Comecei a procurar uma casa em Maceió, em agosto e já em outubro abrimos o restaurante”.

Nidia explica que a aceitação dos pratos vegetarianos foi excelente e que, além da influência argentina, há temperos descobertos em viagens por todo o mundo. “Este ano fiz uma viagem para a Europa e percebi que a gente tem uma variedade de pratos maravilhosos. Procuro uma alimentação orgânica, não uso temperos industrializados, todos são naturais. E a comida é muito saborosa”. Da culinária dos amigos hermanos, ela trouxe os caldeirões de mita (milho), pudim de beringela.

“Muita coisa que veio da minha casa, como minha mãe fazia. A comida argentina tem muita origem italiana e espanhola. Faço um feijão branco muito bom, que se cozinha na minha casa com muita verdura, além de empadas e tortilhas espanholas”, destaca Nidia.

A comunicação

Para se comunicar com os clientes, a argentina conta que usa o “portunhol”, misturando as palavras na língua portuguesa e na língua espanhola.

“Eu uso as palavras que prefiro e que representa mais meu sentimento. Mas a gente vai aprendendo e conversando com as pessoas, com os filhos, que são brasileiros. No início, tinha algumas dificuldades por ser estrangeira, mas hoje em dia é mais tranquilo”, avalia Nidia.

O diferencial do Serafim, que mostrou para os alagoanos que a comida vegetariana não é apenas salada, é o ambiente. “As pessoas vêm pelo sabor da comida e pela variedade, além que não é apenas mais um restaurante. É um local onde você se sente confortável, se sente em casa. As pessoas vêm até para trabalhar, conversar com os amigos, recuperar essa cultura da amizade, do tempo para desfrutar. A ideia é fazer um slow-food. Apesar de que a comida está pronta na mesa. Comida orgânica e saudável, hábitos saudáveis. Filosofia de vida, sentir-se mais completo”, destaca Nidia.

Luís Teixeira apostou em uma “Tasca Portuguesa”

FOTO: ANA CLARA MENDES

 

A história de um Português

Após percorrer toda a Europa e, aos 19 anos, se formar em Gastronomia na Inglaterra, Luís Teixeira chegou a capital alagoana. E já são 25 anos de história e negócios no estado.

“Já tinha negócios em Alagoas enquanto morava em Portugal, onde fui criado. Passei pela França, me especializei em crepes. Depois fui para a Espanha, voltei para Portugal e há sete anos cheguei a Maceió para ficar”, relembra.

O primeiro estabelecimento foi uma creperia francesa, mas a ideia de um bistrô pequeno e com a tradicional culinária portuguesa já existia. “Eu acho os alagoanos muito adeptos à gastronomia portuguesa. Então, decidi abrir um restaurante, o Tasca Portuguesa”.

Para Luís, apesar de ter família morando em Maceió e já conhecer o lugar, no início, a adaptação não foi tão fácil. “Achamos que por termos tios morando aqui e ser um lugar que a gente conhecia, seria mais fácil a adaptação. Mas no princípio tive algumas dificuldades, pois querendo ou não, vir da Europa é uma diferença muito grande”, conta.

Uma das dificuldades foi com a língua, já que, segundo ele, cada lugar tem seu próprio idioma. “Nós europeus, achamos que os brasileiros falam muito rápido. Então muitas coisas eram difíceis no principio, mas hoje em dia é mais tranquilo”, explica.

O cardápio para as terras brasileiras

“Aqui oferecemos desde o bacalhau até o filé, passando pelo filé de peixe, pelo camarão, tentamos fazer uma gastronomia variada. Tentamos fazer a verdadeira gastronomia portuguesa, tudo preparado de maneira tradicional”, destaca.

Luís conta que busca sempre mostrar a cultura portuguesa. “Os tradicionais pastel de Belém, travesseiros de cintra, doces típicos portugueses, também fabricamos aqui. A gastronomia portuguesa é muito rica em termos de molho e sabor, é uma comida bem apurada”.

O diferencial do restaurante, Luís explica que é a proposta de ser uma tasca: pequenos espaços onde se come e bebe bem. “A aceitação foi muito boa, a procura pela casa é muito grande. Há até clientes que falam que está pequena, mas é a nossa proposta, um ambiente aconchegante. Sempre estamos atualizando o cardápio com mais opções de pratos”.

Ela diz ainda que grande parte dos clientes é de Portugal ou são alagoanos que já conhecem a cultura portuguesa. “O povo de Maceió nos abraçou e temos uma clientela muito vasta, de todas as idades”, destaca.

Argentinos apostaram em um pub e conquistaram o público de Maceió

FOTO: ANA CLARA MENDES

 

Los hermanos

Mesmo sem conhecer a cidade, Maceió foi escolha à primeira vista. Em 2013, o argentino Bruno Giacobbo e mais dois amigos, os irmãos Joaquim e Juan Luiz Menendez, concretizaram a ideia antiga de abrir um bar em terras brasileiras.

“Olhava Alagoas no mapa e achava longe. Vimos que Maceió era uma cidade de praia e decidimos ficar por aqui”, contou o argentino, acrescentando que o bar começou como uma aventura, mas acabou virando um negócio.

E negócio de sucesso. Aberto há quatro anos, o pub El Lugar, localizado no bairro da Jatiúca, conquistou os maceioenses. O número de pessoas que frequentam o local é tão grande, que aos finais de semana fica difícil entrar.

Nascido na sul da Argentina e criado na Patagonia, o empresário conta que a comunicação foi difícil no início, mas que com a prática e uma ajudinha dos clientes, eles aprenderam algumas palavras da língua portuguesa. “Hoje consigo falar e entender o português, mas a adaptação foi um processo engraçado”, contou.

Com o objetivo de trazer para a cidade um pouco dos drinks e da gastronomia argentina, o bar teve uma ótima aceitação do público, de acordo com Bruno. “Assim como toda coisa nova, não sabíamos se ia dar certo ou não. Começamos a divulgar nas faculdades, na praia, nas ruas e a aceitação do publico foi muito boa e sempre vamos conquistando clientes novos, é muito gratificante”, disse.

Não faltam referências argentinas quando se fala do pub. Segundo Bruno, o trio sentia muita falta de um bar com um grande balcão, tradição dos estabelecimentos argentinos. No cardápio, as tradicionais empanadas, chori com fritas e milanesas são a grande pedida. Além, é claro, das diversas opções de drinks , diferencial do bar.

O argentino explica que a marca registrada do El Lugar é atender aos clientes da mesma forma que os hermanos recebem um amigo em casa. “Bebida gelada e comida gostosa, esse é nosso produto. Se é para atender ao público, que sejamos sempre amáveis e consigamos que o cliente passe um bom momento dentro dessa casa”.

Para o futuro, Bruno ressalta a vontade de ampliar o estabelecimento e melhorar cada vez mais o atendimento. “Gostamos muito do setor de serviços, de oferecer coisa nova. Expandir o negócio em outra cidade também estar no nosso planejamento”, explica.

Fonte: Maceió Urgente com informações Gateza WEB

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